Além da tecnologia: as principais reflexões sobre IA que trouxe do Web Summit
- Wagner Dias

- 14 de jun.
- 3 min de leitura
Passei os últimos dias no Web Summit Rio acompanhando dezenas de palestras sobre inteligência artificial, agentes autônomos, infraestrutura tecnológica e transformação digital.
Confesso que cheguei esperando ouvir sobre modelos, plataformas e as próximas grandes novidades da IA.
Saí com uma conclusão diferente.
A maior parte das empresas ainda não tem um problema de tecnologia. Tem um problema de execução.
Em diferentes painéis — de executivos da NVIDIA a estudos sobre maturidade digital e competitividade da América Latina — uma mensagem apareceu repetidamente:
A vantagem competitiva não virá do acesso à IA. Virá da capacidade de transformar IA em resultado de negócio.
Pode parecer uma diferença sutil, mas ela muda tudo.
Hoje praticamente qualquer empresa pode acessar os mesmos modelos de IA, as mesmas APIs e, muitas vezes, as mesmas ferramentas. O que começa a separar líderes de seguidores não é a tecnologia em si, mas a capacidade organizacional de utilizá-la.
Isso significa ter clareza sobre algumas perguntas fundamentais:
Qual problema estamos tentando resolver?
Como mediremos o valor gerado?
Quem é responsável pela iniciativa?
Como os dados serão governados?
Como as equipes serão capacitadas?
O que deve ser construído internamente e o que pode ser consumido do mercado?
Um dos estudos apresentados mostrou que 82,5% das empresas já consideram IA estratégica, mas apenas uma pequena parcela consegue capturar valor de forma consistente e escalável. O desafio já não é convencer as organizações sobre a importância da IA. O desafio é executar.
Um dos exemplos mais interessantes apresentados durante o evento mostrou uma empresa que utilizou IA para atacar um problema específico que gerava bilhões em perdas anuais. O investimento foi relativamente pequeno quando comparado ao tamanho da dor que precisava ser resolvida.
A lição foi simples:
O debate não deve começar pelo custo da IA. Deve começar pelo custo do problema.
Outro ponto que me chamou atenção foi perceber que as organizações mais avançadas não tratam IA como um projeto de tecnologia.
Elas tratam IA como um tema de negócio.
Isso ficou ainda mais evidente quando alguns estudos mostraram que a maioria das empresas utiliza IA principalmente para ganhos de eficiência operacional. Faz sentido: é onde os resultados aparecem primeiro. Mas eficiência é apenas o começo.
Em áreas como Vendas, a IA pode ajudar a identificar oportunidades, priorizar clientes e aumentar conversão.
Em Suprimentos /Procurement, pode acelerar análises, apoiar negociações, melhorar previsões, identificar riscos e ampliar a qualidade da tomada de decisão.
Mas, em todos os casos, a tecnologia só gera valor quando está conectada a um objetivo claro de negócio.
As decisões mais importantes não estão relacionadas ao modelo escolhido ou à infraestrutura utilizada. Elas estão relacionadas à estratégia, governança, priorização e desenvolvimento de capacidades internas.
Talvez essa tenha sido a principal reflexão que trouxe do Web Summit.
Durante muitos anos, empresas investiram em tecnologia acreditando que ela, sozinha, geraria transformação.
Hoje parece cada vez mais claro que a transformação acontece quando tecnologia, pessoas, processos e estratégia evoluem juntos.
A IA certamente será uma das tecnologias mais relevantes da nossa geração. Estimativas discutidas durante o evento apontam que ela pode adicionar entre US$ 1,7 e 1,9 trilhão apenas à economia da América Latina nas próximas 2 décadas.
Mas os vencedores não serão aqueles que simplesmente adotarem IA primeiro.
Serão aqueles que conseguirem conectá-la aos problemas certos, desenvolver as capacidades necessárias e transformar potencial tecnológico em valor real para clientes, colaboradores e acionistas.
No fim das contas, a pergunta mais importante não é:
“Qual IA devemos usar?”
Mas sim:
“Qual problema estamos preparados para resolver?”

Menos foco no hype, mais foco em como transformar inovação em resultado real para os negócios.



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