Inteligência de Mercado em Suprimentos: como atuar em cenários voláteis e gerar valor real
- Wagner Dias

- 5 de mai.
- 2 min de leitura
Na última semana, a Suzano divulgou seus resultados ao mercado (1Q2026). Mesmo diante de um cenário marcado por volatilidade cambial e incertezas geopolíticas — especialmente em função do conflito no Oriente Médio — a empresa segue demonstrando operação sólida, disciplina financeira e forte geração de caixa.
Mas, além dos números, um ponto me chamou atenção e conecta diretamente com uma frente cada vez mais estratégica: o papel da inteligência de mercado em suprimentos.
Mais do que acompanhar variáveis externas, essa atuação é sobre traduzir riscos e oportunidades em decisões que geram valor para o negócio.
Um mundo mais volátil exige novas capacidades
O contexto global vem se tornando progressivamente mais instável.
Conflitos como Rússia-Ucrânia e tensões no Oriente Médio, movimentos de nearshoring, reconfiguração de cadeias globais e maior pressão sobre custos e disponibilidade de insumos vêm aumentando a complexidade das decisões em supply chain.
Nesse ambiente, volatilidade deixa de ser exceção — e passa a ser regra.
E é exatamente aqui que a inteligência de mercado em procurement ganha protagonismo: na capacidade de estruturar esse cenário, conectar variáveis e transformar incerteza em direcionamento estratégico.
Inteligência de mercado em procurement: da análise à ação
Em um ambiente global cada vez mais instável, áreas de procurement deixam de operar apenas como executoras e passam a atuar como unidades estratégicas orientadas por dados.
E isso exige um novo nível de maturidade.
Um exemplo prático está na atuação conjunta entre times de Tesouraria, Insumos e PFIN, sustentando uma política consistente de mitigação de riscos via hedge de commodities.
A partir de análises contínuas — construídas de forma integrada entre áreas — foi estruturada uma carteira capaz de proteger a exposição da companhia frente a variáveis críticas de mercado.
Hoje, a Suzano mantém uma carteira de hedge em que 86% da exposição hedgeável correlacionada ao Brent está protegida. Dessa forma, em conjunto com outros pontos destacados no vídeo, a empresa atravessa o atual contexto geopolítico em uma posição relativamente mais competitiva em relação aos seus pares globais.
Esse tipo de decisão não nasce de forma isolada. Ele é resultado direto de uma inteligência de mercado aplicada ao procurement, conectando dados, cenários e estratégia.
O papel do Centro de Excelência de Suprimentos
Dentro desse contexto, ganha ainda mais relevância a atuação de estruturas como um Centro de Excelência de Suprimentos, que operam como hubs de inteligência, dados e direcionamento estratégico.
Esses times têm um papel claro:
• Conectar variáveis macroeconômicas com decisões operacionais
• Traduzir volatilidade em riscos e oportunidades estruturadas
• Apoiar decisões de sourcing, contratos e exposição a risco
• Integrar áreas (finanças, supply, planejamento) em torno de uma visão única
No fim, não se trata apenas de reagir ao mercado — mas de antecipar movimentos e posicionar a companhia de forma mais competitiva.
Se você também atua com Inteligência de Mercado, excelência de Suprimento, Procurement ou transformação em supply chain, vamos trocar ideias. Sempre bom conectar com quem está construindo essa agenda na prática




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